O termo snack culture tem “bombado” na web ultimamente. Talvez nem seja novidade para você leitor (que provavelmente vai deixar de ler esse texto exatamente agora…1, 2, 3 e já!), mas minha intenção aqui não é nem explicar o que isso significa e sim dar minha humilde opinião a respeito disso.
Esse termo foi difundido pela revista Wired, especializada em tecnologia, games e etc. Apontando para a nova tendência da cultura e comunicação na web. Basicamente quer dizer que as pessoas atualmente consumem produtos culturais aos pedaços, aos poucos, como você faz com aquela batatinha da onda, ou então com aquela bolachinha salgada.
Minha mãe gritava comigo “Menino pára de comer besteira”. Hoje toda vez que a gastrite ataca eu lembro dela (Te amo Dona Solange). Meu estômago não aguenta tanta porcaria. E a minha cabeça?
Eu amo internet. Houve uma “democratização” da informação nunca antes vista. Como é bom procurar num site o endereço de um lugar, calcular quanto vou gastar naquela balada, ficar sabendo do ultimo filme do Tarantino e etc.
Pó, depois da mulher, a internet é a melhor invenção?
Hmmm sei não. Sabe aqueles dias?
Brincadeiras a parte o que eu quero dizer é que uma grande bola de neve se formou. A “abertura” da informação que antes era controlada agora precisa de um controle. A nova geração escreve pior que eu (vc num axa?). E a arte? Putz…
A arte está cada vez mais comprimida. .mpg, .mp4, .mp3, .mov. As cabeças criativas, os artistas tomaram forma de fabricantes de um produto que tem que ser consumido rapidamente, tem que ser “leve” e superficial fingindo um conteúdo intenso. Boom! E o cara na frente do computador já espalha o link enquanto carrega outro.
Os vídeos tem a resolução cada vez pior, o som é ruim, isso sem contar que parece que toda produção áudio-visual tem um novo limite: os 10 minutos do youtube.
A MTV que foi a grande formadora estética dos anos 90 nem passa mais clipe. Como não? Está tudo lá no Overdrive. Pra que eu vou rodar um clipe em 16mm ou 35mm se um vídeo em mini-dv com um bom filtro e comprimido em mp4 fica quase igual naquela telinha do youtube?
O acesso aumentou. Isso é fato. Se brincar você com um laptop no ponto de ônibus caça um Wi-fi e assiste o Jeremias, muito louco sendo preso enquanto o Terminal Princesa Isabel não passa(o amarelo demora pra cacete).
Mas e a qualidade?
E os artistas?
Na minha opinião o objetivo de um artista é criar uma obra atemporal. Mas não tem rolado mais. Ou pelo menos eu não vou encontrar isso na web.
A forma de produzir arte mudou e a forma de consumir idem. Ao meu ver não encontramos uma maneira de que isso seja feito sem perder o valor artístico em questão.
Um disco por exemplo.
As pessoas ouvem aos cacos, no caso do mp3. Nunca como um conjunto. Um conceito.
Esse texto.
De 10 pessoas 8 já desistiram de ler. Se eu quisesse dizer que eu roubei um banco ninguém ia notar. Claro. Com tanta coisa pra ler, ouvir, consumir, vomitar, ver alguém vomitando, “dando sopa” na web, não faz sentindo perder tempo com um texto tão grande.
Pareço retrógrado, mas pra mim é fato: a arte perdeu valor na web. Música e cinema são as artes que eu mais me envolvo e tento produzir. É triste ver suas decadências.
A vida parece que virou um grande hotsite sabe? E todos entram no cinema só pra ver o trailler. Afinal é “pápum” e “próóóximo”.
A internet é linda, mas sabe aqueles dias?
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Kennedy Lui tem 25 anos. Se veste que nem moleque, se acha adulto e age como um idoso.
Formado em publicidade, compõe e toca na banda Same Joke (www.myspace.com/samejoke), é contraditório e divulga seus snacks. Compôs um sambinha que considera “quase genial”. Não assiste filme pirata, está desempregado, mas trabalhando muito. Seus ídolos são: Michael Gondry, Jorge Ben e Chico Buarque. Indica a banda: Radiola Santa Rosa.
Seu perfil no orkut é:
Eu tento ser o veneno. Mas ainda sou fichinha perto do Chico Buarque.
A música é uma das coisas que ainda fazem sentido.
Sendo assim…
tratei de comprar fones mais confortáveis e escovo os dentes dançando.


